Evany Fanzeres
A pintura de Evany Fanzeres Desenhista, pintora, escultora, educadora artística, orientadora multidisciplinar. Nasceu no Rio de Janeiro de uma família de professores e artistas. Depois dos estudos normativos passou em segundo lugar no vestibular do Instituto de Belas Artes da Universidade do Brasil -IBA-UERJ- em 1958. O IBA, uma instituição de ensino superior de arte ligado à teoria, História da Arte e sobretudo à praxis e integração da arte no urbanismo e principalmente na arquitetura, tinha professores de gabarito como José Guilherme Merquior, Carlos Cavalcanti, Guignard, Iberê Camargo, Edith Behring, Carlos Flecha Ribeiro. A filosofia didática do IBA era diferenciada do academismo da tradicional Escola de Belas Artes. Aprendeu rudimentos básicos de técnicas de gravura em metal com Orlando da Silva, e xilogravuira com Solange Simas, na Escolinha de Augusto Rodrigues. Desde cedo teve ativa participação na vida cultural do Rio de Janeiro, conheceu críticos como Mário Barata, Walmir Ayala e Mario Pedrosa. Estudos de arte institucionais feitos de 1958 a 1965, período em que teve aulas de pintura e teoria com Aluizio Carvão, principalmente, e Ivan Serpa. Em 1961, com a crítica de arte Vera Pacheco Jordão assistiu ao lançamento da "Pop Art" em primeira exposição na Galeria Whitechapel, em Londres. Frequentou a Central School of Arts em Londres e em seguida como bolsista do DAAD realizou estudos de 1963 a 1965 na Academia de Düsseldorf, onde assistiu ao início do movimento Fluxus. Foi aluna inscrita na classe de Carl Goetz e assistiu aulas de Joseph Beuys, de quem adotou a noção de conceito, que a partir de então orientou sempre toda sua obra.

Realizou pequenas exposições em várias cidades alemãs, organizadas pelo crítico e escritor Rudolf Caltofen e esposa Delfina. Expôs em Colonia, Munster, Bonn, Munchen, Essen. Voltando ao Brasil em 1966 participou intensamente de exposições coletivas, bienais, workshops. Em 1967 participa e é premiada por juri nacional e por indicação de Pierre Restany (Prêmo do Ministério das Relações Exteriores), na Bienal de São Paulo. Em 1969 participa, juntamente com Guilherme Vaz, Tereza Simões, Cildo Meirelles, Rosa e Jackson Ribeiro, Luis Alphonsus, Pedro Escosteguy, da então criada Unidade Experimental, no MAM cujo efeito será uma exposição que uniu artistas, críticos e empresários, o Salão da Bússola, importante evento de arte contempoprânea.

Em 1970 viaja para Portugal e exibe pinturas e esculturas na galeria Buchholz, com prefácio do crítico Dr. José-Augusto Françca. Nesta época Evany foi Bolsista da Fundação Calouste Gulbenkian, realiza uma extensa documentação sobre a obra de Diego de Boitac no Mosteiro dos Jerónimos. Assiste palestras na Fundação Gulbenkian,por autores como René Huygue, Pierre Francastel, Roland Barthes. Visita em 1972 a Dokumenta 5 e investiga bases semânticas da proposta colhida por Harald Szeemann, a partir da informação da produção artística, - Uma enquete sôbre a Realidade -.

Voltando ao Brasil pesquisa matérias teóricas correlatas à arte, no Centro de Estudos de Carl Gustav Jung, dirigido por Nise da Silveira para leituras em conjunto. Contribui para o Congresso Internacional do centenário de Jung. Lê autores como Abraham Moles, Lacan, Banfi e executa esculturas em concreto armado, madeira, fibras sintáticas. Em 1976 exibe 22 telas de grande formata na Galeria Arte Global de São Paulo, com prefácio do crítico Dr. Mario Barata, o qual define a proposta geométrica como - volumetria - uma original contribuição para a arte contemporânea - Em 1982 realiza individual no Museu de Arte Moderna, como parte do programa ABC Arte-Brasileira-Contemporânea da FUNARTE com 17 obras de grande formato, prefaciada pelo crítico Frederico Morais, propondo "Geometria em Movimento". O nível desta exposição resulta na indicação de sua proposta para representar o Brasil na 41 Bienal de Veneza.

Em 1989 participou brilhantemente da mostra RIO HOJE, organisada pelo crítico Paulo Herkenhoff que reuniu expressivo grupo de artistas e suas produções recentes numa montagem de alto nível no Museu de Arte Moderna do Rio, que foi visitada e admirada por personagens internacionais, inclusive Leo Castelli.

A partir de 1992 passa a viver e trabalhar em Berlin, onde expõe em espaços fora do circuito, e tambem em Düsseldorf, Braga, Rheydt, Karlsruhe. Em 1995 é convidada para expôr na Galeria do IFA, Institut für Ausland Bezihungen em Bonn, mas o governo brasileiro não apoiou. Conhece então Johannes Wasmuth, diretor da Fundação Arp, onde realiza pequena exposição. Mesmo sendo artista de suporte material, em 1999 introduziu aos alunos a contribuição da visualidade digital. Na Alemanha desenvolveu raciocínio plástico sobre espaço, ou o mundo como uma escultura social, die sozial Plastik.

Copyright Evany Fanzeres

Evany Fanzeres
Óleo sobre tela, 1983
100 x 100cm
Fan

Em Portugal expõe numa torre medieval em Braga, com patrocínio da prefeitura local. e em 2003 realiza curto estágio de investigação no ZKM, Centro para Arte e Médias Digitais de Karlsruhe. Tem textos de sua autoria em publicações impressas e tambem na internet, sobre produções artisticas e políticas culturais.

A obra atual integra conceito de espacialidade /menções à arquitetura, em pinturas e trabalhos inéditos, de grande formato, em técnicas de resinas sôbre papel artezanal.

Dispõe de significativa bibliografia sobre a obra, leituras e verbetes em publicações especializadas em países europeus e no Brasil. Obras em coleções públicas e privadas em vários países. A última exposição individual ocorreu em setembro de 2004, na Galeria Annamaria Niemeyer, no Rio de Janeiro. Participou em 2005 de coletiva em Eindhoven, Holanda, no Temporary Art Centre.

Trecho do prefácio do catálogo da exposição na Galeria Arte Global, São Paulo, 1976
De José-Augusto França, em seu prefácio da mostra da Evany Fanzeres na Galeria Buchholz, e Rui-Mário Gonçalves, até Antonio Bento, na G
aleria Bonino, o pensamento e a sensibilidade espelharam os críticos e poetas, como Walmir Ayala, espelhou o sentido signico da fase básica da artista, aquela em que se revelou e se fixou o seu estilo pessoal.
A coerência da pintora se mantem na presente mostra, na qual, ao lado das concreções tão fortes de sua visualidade, nos exibe três trabalhos em que os volumes se dispoem em rítmos arquitetônicos pequenos, quase metálicos, e sobretudo, expõe cerca de dez telas de uma étapa que decorre das anteriores, com linhas de cristalização em redes unificadores do volume.
Estes últimos trabalhos, em preto e branco, ou já com nuances ou notas de verde, mantem o aspecto sintético de bloco resistente, da imagem que ficou típica na produção da artista.
O segredo do valor da pintura de Evany Fanzeres reside no impacto táctil, com que repercute em nossa visão. Os seus estudos teoricos símbolos e de história das formas e a sua personalidade tao viva e profunda podem fazer-nos suspeitar que uma leitura atenta - com ou sem depoimento da artista - de suas obras, nos conduziria a compreender e situar melhor o conteúdo expresso nos seus signos elementares ou nas tentativas "jungianas" de transmissão alqimica da natureza. Submetida porem, como o e, essa intenção a formulação predomonantemente formal da autora, deixa-nos a vontade para observar que, em fase de uma exposição, o visual e o resultado e e este que explica e unifica a criação, na percepção inicial.
O visual nesta obra esta na expressão de uma potencialidade plástica, de uma artista de valor, pertencente as gerações "de meio" atuantes no Brasil, amadurecidas nos tão difíceis anos 60.

Mário Barata

 

BIBLIOGRAFIA

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